| Intro | Angolan civil servant and poet |
| Was |
Civil servant Poet Politician |
| From | Angola |
| Type |
Literature Politics |
| Gender | male |
| Birth |
7 June 1827, Luanda, Luanda Province, Angola |
| Death |
19 February 1881, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil |
| Star sign | Gemini |
José da Silva Maia Ferreira (Luanda, 7 de junho de 1827 — Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 1867), poeta português de Angola Colonial, cuja existência se distinguiu sobretudo pelo seu carácter de errância.
Viveu e trabalhou em vários países, a começar pela sua própria terra natal. Com estudos adquiridos no exterior, regressou a Luanda em 1845 (depois de uma dilatada ausência), e com apenas 18 anos, assumiu a função de secretário da Junta de Saúde e a de secretário da Comissão Mista Portuguesa e Britânica em 1846. Logo a seguir (a 18 de Outubro de 1847) retornou ao Rio de Janeiro em negócios. Em Setembro de 1849 ei-lo de novo em Angola, onde foi colocado em Benguela como tesoureiro da alfândega. Em Abril de 1850 foi investido no cargo de oficial da Secretaria do governo da mesma capitania. O seu último emprego naquela possessão da costa ocidental de África foi o de escrivão das descargas da alfândega de Luanda, donde acabou por ser demitido por […] por irregular comportamento e repreensível conduta […] . Este episódio inquestionavelmente pesou na sua decisão de abalar para a América do Norte em Maio de 1851 por estar relacionado com os acontecimentos em Benguela. Em primeiro lugar, com a revolta dos comerciantes europeus, deposição do governador, coronel Francisco Tavares de Almeida, e com a exposição dos seus amigos ao ferrete do desprezo público, atentas as convicções progressistas e o pendor anti-lusitano de todos eles); em segundo lugar, com um enredo amoroso que o envolveu numa cena de tiros, da qual saiu ileso.
Publicou em 1850 o volume de poesias, Espontaneidades da Minha Alma. Às Senhoras Africanas, considerado o primeiro artefacto literário editado em Angola da autoria de um escritor angolense. Da edição primigénia das Espontaneidades, a única cópia que sobreviveu foi descoberta numa biblioteca de Nova York na segunda metade do século XX pelo já falecido professor da Universidade de Wisconsin, Gerald Moser (ver a sua bibliografia em “Referências”) . Maia Ferreira teve um poema seu, “Amor e Loucura” (escrito em Luanda), inserto no Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro: Para o Anno de 1879 (Lisboa, Portugal), p. 367. Outro testemunho do seu arsenal literário que espelha de forma integral a personalidade de africano em Maia Ferreira são as Memórias Íntimas de um Africano, escrita em 1855 (conforme consta do seu fronstispício) e que baliza o período de vivência do poeta nos Estados Unidos da América. Por ora é desconhecido o paradeiro deste livro, cuja força discursiva marca o reencontro do autor com a África. Não consta do seu espólio doado pelos bisnetos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
Biografia
Nasceu em Luanda, oriundo de uma família preponderante do meio social angolense. O pai, José da Silva Maia Ferreira (também nascido em Luanda), além do estatuto de oficial do regimento de milícias de Luanda, afirmou-se no universo mercantil como negociante de grosso trato. Detinha uma invejável fortuna em bens materiais e como armador (pois era proprietário de uma numerosa frota de navios), girava com avultados cabedais em várias praças do mundo. O avô paterno (igualmente chamado José da Silva Maia Ferreira), nasceu no norte de Portugal. Uma linhagem de sangue, como se pode ver, portadora de três patronímicos idênticos e sucessivos. A mãe, de seu nome Ângela de Medeiros Matoso Maia, descendia em linha directa de duas proeminentes casas senhoriais de Luanda: a dos Matoso de Andrade e a dos Botelho de Vasconcelos. Em 1834, com a queda do regime miguelista em Portugal, a família foi obrigada a retirar-se para o Rio de Janeiro em virtude do progenitor, apoiante declarado daquele regime, ter perdido todos os seus lugares e privilégios na administração pública de Angola. Maia Ferreira (poeta) cumpriu o primeiro ciclo da sua formação escolar no Rio de Janeiro até aos 10 anos. Em 1838, juntamente com o irmão mais velho, António da Silva Maia Ferreira, foi estudar para Lisboa onde permaneceu até 1844, após o que retornou ao Rio de Janeiro. Dali para diante iria dividir a sua trajectória vital entre o Brasil e a sua terra natal. Em 1845 esteve em Luanda, se bem que por breve período. Os seus primeiros arquejos poéticos vieram à luz no Rio de Janeiro em Julho de 1848 nos cadernos denominados Lísia Poética ou Colecção de Poesias Modernas de Autores, e neles Maia Ferreira partilhou o espaço com inúmeras figuras das letras brasileira e portuguesa. Voltou à sua terra natal em 1849 para responder por vários postos na administração estatal: primeiro, na capitania de Benguela (ver em cima, na abertura), mas problemas gravíssimos associados a actos de corrupção na administração do aparelho de Estado por parte do governador local e de outros funcionários, contra os quais Maia Ferreira depôs em juízo, obrigaram-no a sair daquele reino e a tomar o rumo da capital de Angola. Aqui trabalhou até 1851 (ver em cima). Neste ano viajou para a América Setentrional, com passagem pelo Ambriz na barca Chusan, e estabeleceu-se em Nova York. No ano seguinte foi admitido no Consulado-Geral de Portugal graças às suas notáveis aptidões como escrivão. A 22 de Abril de 1856 o cônsul-geral César Henrique Stuart de la Figanière e Mourão (filho de Joaquim César Augusto Stuart de la Figanière, ministro plenipotenciário de S. Majestade portuguesa nos Estados Unidos), devido à estima e amizade que dedicava a Maia Ferreira, informou Lisboa que se propunha elevar o seu escrivão à condição de chanceler com a obrigação de este se repartir também pelo posto de vice-cônsul, razão pela qual requeria ao ministro e secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros apoio à confirmação régia do dito empregado. A confirmação viria a ser lavrada a 16 de Março de 1858 por certidão passada a Maia Ferreira pela Secretaria de Estado daquele Ministério (Biografia em expansão).
Bibliografia adicional
- MOSER, Gerald. Essays in Portuguese-African Literature, Pennsylvania Park, The Pennsylvania State University (Colecção: “The Pennsylvania State University Studies”), 1969.
- MOSER, Gerald & FERREIRA, Manuel. Bibliografia das Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1983.
- OLIVEIRA, Mário António Fernandes de. ” Primeiro Livro de Poemas Publicado na África Portuguesa” (separata da revista Ocidente, vol. XXIX), Lisboa, 1980.
- OLIVEIRA, Mário António Fernandes de. A Formação da Literatura Angolana (1851-1950), Dissertação de Doutoramento, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, 1985 (exemplar mimeografado).
- OLIVEIRA, Mário António Fernandes de. Reler África (apresentação, revisão e nota bibliográfica por Heitor Gomes), Coimbra, Instituto de Antropologia, 1990.a Ss
- PACHECO, Carlos. O Nativismo na Poesia de José da Silva Maia Ferreira, Évora, Pendor Editorial, 1996, 70 págs.
- ROUGLE, William. “José da Silva Maia Ferreira, Poeta Angolano, Correspondente Brasileiro. Homem de Negócios Americano”, Colóquio/Letras, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, n.º 120, Abril-Junho de 1991, pp. 184-188.
- VENÂNCIO, José Carlos. Uma Perspectiva Etnológica da Literatura Angolana, Lisboa, Ulmeiro [Colecção “Ulmeiro/Universidade n.º 9”], 2.ª edição, 1993.
- SOARES, Francisco. Notícia da Literatura Angolana, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda [Colecção: «Escritores dos Países de Língua Portuguesa, 22»], 2001.
- TRIGO, Salvato. “A Francofilia Literária de Maia Ferreira”. In: Ensaios de Literatura Comparada, Afro-Luso-Brasileira, Lisboa, Vega [Colecção “Vega Universidade”], s.d.
- CORRADO, Jacopo. The Creole Elite and the Rise of Angolan Protonationalism, 1870-1920, New York, Cambria Press, 2008.
- TOPA, Francisco. “Gato Escondido: Maia Ferreira e um Heroísmo Calcado em Zurara (A Cat Out the Bag: Maia Ferreira and a Kind of Heroism Underpinned in Zurara)”, Miscelânea (revista da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Asis), vol. 14, Jul./Dez. 2013, pp. 217-222.
- MARQUES, Leonardo. “Um Último Triângulo Notório: Contrabandistas Portugueses, Senhores Cubanos e Portos Norte-Americanos na Fase Final do Tráfico Transatlântico de Escravos, 1850-1867”, Afro-Ásia [Universidade Federal da Bahia, Brasil], n.º 53, 2016, pp. 45-83.
- AN/TT (Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Lisboa). “José da Silva Maia Ferreira”, código de referência: PT/TT/JSMF (1 cx.; 216 doc., 5 daguerreótipos, 12 fotografias, 2 livros; papel).